Após a reeleição de Lula e a saída de Flávio Bolsonaro do país, os ministros Mauro Vieira e Marco Rubio se encontram no G20 nos EUA para aliviar tensões diplomáticas e preparar cúpula de dezembro.
A reunião de ministros de Relações Exteriores do G20 em Atlanta, nos Estados Unidos, serviu para o primeiro contato direto entre Mauro Vieira, chanceler do Brasil, e Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA. O encontro ocorreu logo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a saída do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, do território brasileiro.
Os dois líderes diplomáticos cruzaram os olhares durante o coquetel de boas-vindas do grupo, que reúne as principais economias do mundo, na noite de sexta-feira (30). A conversa foi rápida, mas resultou em um acordo para uma reunião bilateral mais formal antes da cúpula do G20, que acontece nos dias 14 e 15 de dezembro, em Miami.
- Contexto Sensível: O encontro ocorre após Trump evitar reconhecer a vitória de Lula e permitir a viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA.
- Investigações: Flávio é alvo de inquéritos por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.
- Pedidos Oficiais: A Polícia Federal pediu o confisco do passaporte do senador brasileiro antes de sua partida.
- Agenda Econômica: O G20 debaterá geopolítica, mercado de energia e cadeias de suprimentos globais.
- Apoio Internacional: Líderes de Índia, Reino Unido e Polônia parabenizaram o Brasil pela conclusão do processo eleitoral.
Aposta na diplomacia para resolver crises
A iniciativa de encontro acontece em um momento de forte atrito político. O presidente Donald Trump não reconheceu publicamente a vitória de Lula nas eleições. Além disso, permitiu que Flávio Bolsonaro, que tentou negar a derrota, entrasse nos Estados Unidos mesmo após a Justiça brasileira proibir a saída do senador do país.
Parlamentares democratas, opositores de Trump, enviaram uma carta a Rubio questionando se a Casa Branca ajudou na viagem de Flávio. O senador brasileiro deixou o país enquanto é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. Flávio nega todas as irregularidades apontadas na Justiça.
Diálogos bilaterais e apoio ao processo eleitoral
Durante a sessão de abertura na sexta-feira, Mauro Vieira também se reuniu com os chanceleres da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, do Reino Unido, Ed Miliband, e da Polônia, Radosaw Sikorski. Os três cumprimentaram o ministro brasileiro pela conclusão segura do processo eleitoral e pela reeleição de Lula, conforme divulgado pelo Itamaraty.
O chanceler indiano, Jaishankar, transmitiu ao Ministro Vieira as calorosas congratulações do Primeiro-Ministro Narendra Modi pelo triunfo eleitoral no Brasil, reforçando o apoio internacional à continuidade democrática no país sul-americano.
Os bastidores da saída de Flávio Bolsonaro
Derrotado nas urnas no dia 25 de outubro, Flávio Bolsonaro deixou o país após a Polícia Federal solicitar o apreensão de seu passaporte. A medida visava evitar uma possível fuga diante dos processos judiciais que o senador enfrenta atualmente.
O político fluminense é investigado sobre um pagamento de R$ 60 milhões realizado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O valor seria destinado à produção de um filme intitulado 'Dark Horse', que narraria a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em outra frente de investigação, a Polícia Federal apura as relações do senador do PL com o advogado Willer Tomaz, dono de uma empresa de apostas (bet) suspeita de lavagem de dinheiro e envolvida na fraude de desvio de aposentadorias e pensões do INSS. A Justiça bloqueou mais de R$ 6 bilhões em contas ligadas a Tomaz.

Agência Brasil


