Romaria da Acessibilidade une fé e inclusão no Círio 2026

CULTURA Inclusão 24/10/2026 18:04 Marli Portilho - Agência Belém agencia.belem.pa.gov.br Belém PA

Durante a Romaria da Acessibilidade do Círio 2026, a Prefeitura de Belém distribuiu abafadores de ruído, água, placas de comunicação alternativa e pulseiras de identificação para que pessoas com deficiência e suas famílias participem com mais conforto, segurança e dignidade.

A emoção de ver a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, sentir a fé e participar de uma das maiores festas religiosas do Pará foi ainda mais especial para famílias que convivem com a deficiência. Entre orações, lágrimas e carinho, a Romaria da Acessibilidade do Círio 2026 juntou pessoas com deficiência, parentes e voluntários para mostrar que a fé também deve ser vivida com respeito, acolhimento e inclusão.

A romaria aconteceu na manhã deste sábado (24), em Belém, e foi conduzida pelo arcebispo emérito da Arquidiocese de Belém, Alberto Taveira. A procissão saiu da Praça Santuário de Nazaré, seguiu pela avenida Generalíssimo Deodoro, passou pelas ruas Brás de Aguiar e Quintino Bocaiúva, continuou pela avenida Nazaré e voltou à Praça Santuário. No caminho, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Inclusão e Acessibilidade (Semiac) e da Secretaria Executiva da Primeira Infância e Desenvolvimento Infantojuvenil (Sepidi), participou de uma ação conjunta com o Governo do Estado e com a Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pará (OAB-PA). Eles ofereceram recursos gratuitos para que os romeiros participassem com mais acessibilidade e segurança.

  • Foram distribuídos abafadores de ruído para pessoas sensíveis a sons altos.
  • Placas de comunicação alternativa ajudaram quem tem dificuldade para falar.
  • Crianças e adolescentes usaram pulseiras de identificação com contatos dos responsáveis.
  • O arcebispo emérito Alberto Taveira conduziu a procissão.
  • Famílias com filhos com paralisia cerebral e autismo aprovaram o acolhimento.

Amor de mãe transforma a caminhada em um momento de superação

A Prefeitura distribuiu abafadores de ruído, água, placas de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), pulseiras de identificação e orientações para as famílias. As equipes também deram mapas ampliados do percurso e ofereceram apoio durante a caminhada, com atenção especial para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiência intelectual, paralisia cerebral, hipersensibilidade auditiva e outras necessidades específicas. Entre os participantes, estava Amélia Xerfan, de 62 anos, psicóloga e integrante da organização da romaria. Moradora do bairro de Nazaré, ela acompanha há três anos a procissão com o filho Reinaldo, de 37 anos, que tem paralisia cerebral. Para ela, participar deste momento é uma chance de renovar a fé e mostrar que pessoas com deficiência também têm o direito de viver plenamente as tradições religiosas.

Destaque de Amélia: Estar aqui com meu filho é uma emoção muito grande. A gente sabe que participar de uma procissão com tanta gente e tantos sons é um desafio para pessoas com deficiência. Ter equipes preparadas, abafadores e apoio durante o percurso mostra que nossas necessidades estão sendo consideradas. Como mãe, fico feliz em ver que meu filho pode viver esse momento de fé com mais acolhimento, segurança e dignidade.

A presença das famílias mostra como é importante ter ações que pensem nas necessidades de cada pessoa em eventos com muita gente. O excesso de barulho, o grande movimento e as dificuldades de comunicação podem deixar o percurso difícil, principalmente para quem precisa de apoio sensorial ou de recursos para se expressar.

Liliane Batista, de 41 anos, moradora do Bengui, também participou da romaria com a filha Melinda, de 7 anos, que tem paralisia cerebral. Para ela, poder participar da celebração com apoio e acolhimento é mais do que assistência: é ter o direito de dividir com a filha um momento de fé e pertencimento.

Liliane afirma: Para mim, é muito emocionante estar aqui com a Melinda e compartilhar esse momento de fé. Como mãe, sempre nos preocupamos com o bem-estar dos filhos, principalmente em um lugar com muita gente e barulho. A ação da Prefeitura é muito importante porque dá apoio às famílias e ajuda a tornar o momento mais tranquilo e acessível. Saber que há pessoas preparadas para orientar e recursos para ajudar as crianças faz a gente se sentir mais acolhida. Nossa filha tem o mesmo direito de participar e viver essa tradição.

Famílias encontram na romaria espaço de fé e acolhimento

A emoção também marcou Gabriela Souza, de 29 anos, e o marido Wladson Souza, de 39, auxiliar administrativo. Moradores de Ananindeua, eles participam da romaria há três anos com as filhas Ana Gabriele, de 11 anos, e Maitê, de 7 anos, que têm paralisia cerebral e autismo, de acordo com a família.

Para o casal, acompanhar a procissão é uma chance de fortalecer a fé e dar às meninas momentos de convivência e participação social. O acesso a recursos de acessibilidade ajuda a família a percorrer o trajeto com mais tranquilidade.

Gabriela ressalta: Participar da romaria com minhas filhas é uma emoção que não sei explicar. Estamos aqui há três anos, e cada vez é especial. A ação da Prefeitura faz diferença porque mostra atenção às necessidades das crianças com deficiência e de suas famílias. Os abafadores, as placas de comunicação e as pulseiras de identificação são recursos que ajudam muito, principalmente em um evento com tanta movimentação. Para nós, é importante saber que nossas filhas podem participar com mais segurança e que há ações para que elas também sejam incluídas.

A ação também ajudou pessoas que têm problemas de saúde que dificultam caminhadas longas. Moradora do Tapanã, Rosana Almeida, de 58 anos, convive com dor crônica na lombar e participou da procissão por devoção a Nossa Senhora de Nazaré.

Rosana afirma: Mesmo com dor, faço questão de participar desse momento de fé, porque estar aqui renova minhas forças e esperança. Ter o apoio da Prefeitura na romaria é muito importante para quem tem dificuldade de se mover e precisa de mais atenção no percurso. A água e as equipes ajudam a gente a se sentir mais segura e acolhida. É muito bom ver que a acessibilidade também é considerada em uma manifestação tão importante para o nosso povo. Todos merecem ter a oportunidade de participar.

Prefeitura reforça compromisso com a inclusão e a proteção

As secretarias municipais trabalharam juntas para levar serviços públicos aos participantes, com orientação e apoio durante a procissão. As equipes percorreram o percurso oferecendo recursos de acessibilidade, e um ponto fixo de atendimento foi montado na tenda da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em frente ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

No ponto fixo, os romeiros receberam água, mapas ampliados, orientações e ajuda para conseguir atendimento médico, se preciso. Os abafadores de ruído foram emprestados para ajudar pessoas com hipersensibilidade auditiva a suportar os sons fortes da procissão.

As placas de comunicação alternativa ajudam pessoas com dificuldade para falar a expressar necessidades como pedir água, mostrar desconforto, pedir ajuda ou dizer que precisam descansar.

A ação também incluiu pulseiras de identificação para crianças e adolescentes, com contatos dos responsáveis, para facilitar o reencontro em caso de se perderem na multidão.

A secretária municipal da Primeira Infância e Desenvolvimento Infantojuvenil, Juliana Menezes, falou sobre a importância da união entre as instituições para aumentar a segurança e a participação das famílias.

Juliana Menezes afirmou: Estamos aqui acompanhando mais uma Romaria da Acessibilidade, em ação conjunta com o Governo do Estado e outras instituições. Nosso objetivo é dar recursos para todos viverem esse momento de fé e cultura perto de Nossa Senhora de Nazaré. No percurso, temos o protocolo de proteção de crianças e adolescentes, pulseirinhas de identificação, placas de comunicação alternativa e orientação para as famílias. Queremos que todos participem com mais segurança, acolhimento e inclusão.

Cartilha orienta sobre os direitos das pessoas com deficiência

Além do apoio na caminhada, a Prefeitura de Belém distribuiu uma cartilha sobre os direitos das pessoas com deficiência, feita pela Semiac na gestão do prefeito Igor Normando. O material traz informações sobre direitos previstos nas leis nacional, estadual e municipal, para ajudar a população a conhecer melhor os serviços disponíveis.

A ação quer levar informação a todos e ajudar pessoas com deficiência, famílias e cuidadores a conhecerem os mecanismos de proteção, inclusão e participação social garantidos por lei.

A secretária municipal de Inclusão e Acessibilidade, Ariela Motizuki, destacou que a acessibilidade é essencial para que todas as pessoas possam participar das manifestações culturais e religiosas de Belém.

Ariela destacou: O Círio de Nazaré é a maior manifestação de fé e cultura do povo paraense, e ele deve ser de todos. Ninguém pode ficar de fora. O prefeito Igor Normando sabe da importância de garantir que cada belenense viva esse momento, por isso a Semiac, junto com a Secretaria da Primeira Infância, o Governo do Estado e a OAB, esteve na Romaria da Acessibilidade levando às famílias o apoio necessário para um Círio sem barreiras.

A secretária também lembrou a importância dos recursos de tecnologia assistiva usados na procissão.

Ariela completou: Levamos placas de comunicação para quem tem dificuldade de se expressar e abafadores de ruído para quem é sensível a sons fortes. Também distribuímos pulseiras de identificação para as crianças, dando mais tranquilidade às famílias. Democratizar a fé é garantir que todos participem com segurança e dignidade. Hoje vimos isso acontecer nas ruas de Belém, com uma emoção única. Queremos uma cidade cada vez mais inclusiva e acessível a todos.

Acessibilidade também faz parte da fé e da cultura

A Romaria da Acessibilidade faz parte das ações para promover os direitos das pessoas com deficiência e fortalecer uma cultura de respeito à diversidade. A iniciativa juntou a Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (CEPA), a Coordenação Estadual da Pessoa com Deficiência (CEPED), a Semiac, a Sepidi, a OAB-PA e voluntários do Programa de Voluntariado da Sepidi.

Mais do que dar recursos na procissão, a ação reforça a importância de eliminar barreiras que impedem pessoas com deficiência de participar dos espaços públicos, culturais e religiosos.