O grupo Suraras do Tapajós, formado só por mulheres indígenas, apresentará dois shows gratuitos em Macapá. A turnê 'A Voz da Resistência' já passou por várias cidades e oferece oficinas de cultura, moda e som para o público.
As Suraras do Tapajós, primeira banda de carimbó no Brasil formada apenas por mulheres indígenas, se apresentarão gratuitamente em Macapá, no Amapá. Os dois shows acontecem nos dias 27 e 28 de outubro. A primeira data é no Festival Quebramar, no Parque Residência, no centro da capital. A segunda apresentação terá o local divulgado pelas redes sociais do grupo.
A visita da banda à capital amapaense traz uma agenda cultural completa. Além da música, o público poderá participar de oficinas de ritmos, moda sustentável e visitar uma feira de artesanato indígena, enriquecendo a experiência local.
- A banda é a primeira de carimbó formada exclusivamente por mulheres indígenas.
- A turnê começou em abril, no Dia dos Povos Indígenas, marcando os 8 anos do grupo.
- O projeto foi aprovado na seleção Petrobras Cultural e usa recursos da Lei Rouanet.
- O grupo já se apresentou em países como França, Portugal e Finlândia.
- As cantoras usam instrumentos tradicionais como curimbó e maracas de cuia.
Turnê nacional celebra resistência indígena
A turnê, chamada de Suraras do Tapajós - Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência, iniciou em 19 de abril, em São Paulo. O projeto já visitou cidades nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, totalizando 12 paradas. Até dezembro, a agenda inclui shows em Ouro Preto (MG), Salvador (BA), Manaus (AM), Natal (RN), Rio Branco (AC) e São Luís (MA).
Este é o maior projeto de circulação da carreira do grupo. A escolha da data de estreia, 19 de abril, foi estratégica para coincidir com o Dia dos Povos Indígenas. A data celebra também os oito anos de existência do grupo, que se tornou referência na música indígena contemporânea.
Originárias de Alter do Chão, em Santarém (PA), o território do povo Borari, as artistas ocupam um espaço historicamente masculino no carimbó. Elas usam a música para amplificar as lutas pelo protagonismo feminino e indígena na defesa da floresta.
Reconhecimento internacional e patrocínio
O sucesso das Suraras vai além do Brasil. Após turnê no Canadá em julho e pela Europa no ano passado (França, Portugal e Finlândia), o grupo participou da programação da COP30 em Belém. A turnê atual é patrocinada pela Petrobras, realizada pelo Ministério da Cultura e apoiada pela Lei Rouanet.
A produção do projeto é conduzida pela Alter do Som. O repertório mistura canções autorais com clássicos da música paraense, incluindo obras de mestres do carimbó como Dona Onete. As letras falam de natureza, força feminina, ancestralidade e a conexão profunda dos povos com as águas.
O idioma Nheengatu, ainda falado no Baixo Tapajós, está presente nas falas e músicas do grupo. O repertório autoral parte do álbum A Força Que Vem das Águas Kiribasáwa Yúri Yí-Itá e singles recentes, criando um diálogo entre o passado e o presente.
Ritual, dança e espiritualidade amazônica
Nos palcos, as Suraras utilizam instrumentos como curimbós, maracas feitos de cuia, banjo e violão. As vozes seguem a tradição do carimbó, alternando entre solista e coro. A dança é central, convidando o público a participar da roda que se forma no palco, integrando quem assiste ao ritual.
Um momento especial do show é o banho de cheiro com ervas medicinais. Essa prática ancestral amazônica, ligada à cura e proteção, mistura música, dança e espiritualidade. É uma experiência sensorial que aproxima o público da cultura indígena.
Para reforçar a dimensão ritualística, as artistas se apresentam descalças e pintadas com grafismos de jenipapo. Elas vestem saias coloridas artesanais, cocares de penas e usam biojoias, destacando a riqueza da sabedoria artesanal indígena.
A voz de Vall Munduruku e a luta social
Vall Munduruku, artista, ativista socioambiental do povo Munduruku e presidente da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, define o propósito do grupo: Sempre que subimos num palco, representamos nosso povo e nossa região: somos um território encontrando outros.
Vall reforça a ligação entre arte e ativismo: Nossa arte é nossa luta. E vice-versa. Cantamos em defesa do rio, da floresta, das mulheres e dos povos indígenas. É uma luta árdua e é também uma grande celebração. Nossa resistência é pela alegria, pela tradição.
Oficinas, encontros e engajamento comunitário
Em cada cidade da turnê, o grupo promove atividades para aproximar o público da técnica e da tradição. A programação inclui oficina de carimbó, de moda consciente (que respeita a natureza), rodas de diálogo com coletivos locais, pontos de venda de artesanato e oficina de som para jovens que acompanharam os bastidores.
As inscrições para as oficinas e informações detalhadas estão disponíveis no perfil @surarasdotapajos. O público também terá acesso ao Ponto de Encontro Petrobras, uma instalação inspirada na Amazônia e nas mulheres indígenas. Essa troca é muito importante. Entendemos a cultura como uma poderosa ferramenta de transformação social, afirma Vall. Todas as ações, incluindo os shows, contaram com intérprete de Libras.
Quem são as Suraras do Tapajós
Criado em 2018, o grupo nasce do encontro entre arte, ancestralidade e luta social. Usando o carimbó, Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2014, as Suraras reafirmam vozes femininas em um ritmo historicamente masculino. Elas ressignificam a tradição sob a perspectiva das mulheres indígenas amazônicas.
O grupo já participou de grandes festivais como Virada Cultural (SP), Coala, Rec-Beat, Se Rasgum e Festival Psica. Também fez temporadas na CAIXA Cultural e turnê nacional pela Bolsa Funarte. Em 2024, marcaram presença no Rock in Rio (edição de 50 anos), unindo carimbó e tecnobrega.
Em 2025, expandiram-se internacionalmente com shows na França, Finlândia (Womex) e Portugal (Festival Mate). Essa trajetória consolida o reconhecimento artístico, técnico e organizacional da banda em diferentes contextos globais.
Integrantes do grupo
Além de Vall Munduruku, o grupo é composto por mulheres de diversos povos e perfis profissionais:
- Adelina Borari: do povo Borari, graduanda em Arqueologia, ativista e compositora.
- Carol Pedroso: do povo Borari, ativista, secretária, cantora e acadêmica de Gestão Ambiental.
- Estefane Galvão: ativista socioambiental, produtora e banjista.
- Jaciara Borari: do povo Borari, percussionista, diretora executiva e fotógrafa.
- Keissiane Borari: do povo Borari, administradora, compositora e produtora executiva.
- Leila Borari: do povo Borari, turismóloga, ativista e musicista.
- Marina Arapiun: ativista, pedagoga, maraqueira e dançarina de carimbó.
- Samara Borari: do povo Borari, dançarina, graduanda em Fisioterapia e diretora de Cultura.
Programação em Macapá (Serviço)
Show 1:
- Evento: Festival Quebramar
- Data: 27 de outubro (terça-feira)
- Hora: 21h30
- Local: Parque Residência, rua Cândido Mendes, centro de Macapá
- Entrada: Gratuita
Show 2:
- Local: Macapá/AP
- Data: 28 de outubro (quarta-feira)
- Endereço e horário: Em breve nas redes sociais do grupo.
- Entrada: Gratuita
Atividades paralelas (27 de outubro):
- Oficina de Moda Sustentável: 14h, Sala de Eventos do Parque da Residência.
- Feira Indígena: Durante o show, às 21h30, no Parque Residência.
Atividades paralelas (28 de outubro):
- Oficina de Técnico de Som: 9h, Sala de Eventos do Parque da Residência.
- Roda de Conversa: 11h às 12h, Sala de Eventos do Parque da Residência.
- Oficina de Carimbó: 14h, Anfiteatro do Parque Residência.
Inscrições gratuitas e mais informações em @surarasdotapajos.

Musica (IA)


